O Vapor Bahia

Por Fred França
Foto: Bart van Dorp

O Vapor Bahia era um dos mais importantes navios a vapor do Brasil no século XIX, fazendo regularmente a conexão entre portos do Nordeste e do Sudeste. Num período em que o avião ainda não era uma realidade, viajar em navios como o Bahia era a melhor opção para muitas pessoas.

O Vapor possuía acomodações para primeira e segunda classe e as estimativas dão conta que poderia carregar confortavelmente 100 passageiros na popa e em caso de viagens curtas, estima-se em 400 pessoas a capacidade do convés.

O naufrágio do Vapor Bahia envolve por tabela o naufrágio do Pirapama, hoje ponto mais visitado por mergulhadores autônomos em Pernambuco, dada sua proximidade com a costa da cidade de Olinda e a boa visibilidade quase o ano todo.

Por algum motivo desconhecido (e recheado de fantasias e mistérios) os dois navios colidiram na altura da Praia de Ponta de Pedras no dia 24 de março de 1887. Para muitos historiadores, este é o “Titanic” da história náutica brasileira.

Os documentos apontam para negligência por parte dos condutores das embarcações, ambos diários de bordo relatam que os barcos só se viram na noite pernambucana muito próximos do abalroamento, mas a versão “popular” dá conta que o comandante do Pirapama, conhecido por Comandante Carvalho, haveria jogado o navio propositadamente contra o Bahia por ciúme do comandante daquela embarcação, o Tenente Aureliano, que estaria tendo um caso com sua esposa.

A história “real” que levaram os dois navios ao fundo do Atlântico será um mistério, provavelmente para sempre. A hipótese de negligência parece ser bem viável, mas sem dúvidas o folclore e as fantasias populares tendem a rechear o episódio por vários e vários anos. Se levarmos em consideração que a colisão aconteceu à noite e provavelmente com nevoeiro numa época em que rádio, radar, GPS e afins eram equipamentos de ficção científica, não é difícil aceitar a possibilidade da colisão acidental.  

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O estuário da Praia de Pontas de Pedras, praia onde ocorreu a colisão do Vapor Bahia e do Pirapama.

Após a colisão, o Pirapama ainda “se arrastou” com o casco bem danificado de Goiana até a cidade do Recife, porto do qual havia partido. O navio não foi recuperado e seus restos afundados de forma intencional entre as cidades de Recife e Olinda.

No momento do acidente, o Bahia transportava 200 pessoas, incluindo um pelotão do exército. Jangadas e barcos locais resgataram 43 pessoas, muitas delas flutuando entre os escombros da embarcação. Já outros, 82 pessoas, conseguiram chegar nadando ao Cais Lingueta. A partir do dia seguinte vários cadáveres começaram a chegar às praias onde hoje se localiza a Reserva Extrativista Acaú-Goiana*.

*A RESEX Acaú-Goiana está no livro fotográfico Expedição Pernambuco – O Leão do Norte. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.