Os Diablos Danzantes

Por: Karina Morais
Foto: Luiz Netto

 

Diablos


Vestindo trajes coloridos, normalmente com muito vermelho, capas, máscaras de aparência grotesca e ornamentos, tais como cruzes, escapulários, rosários e amuletos a dança é um ato de representação do bem sobre o mal em que demônios dançam em uma procissão pelas ruas da cidade até a porta da igreja, permanecendo prostrados em sinal de respeito ao Santíssimo Sacramento, enquanto o sacerdote abençoa.

Uma vez na igreja é como se uma espécie de luta entre o inferno e a guarda celestial fosse estabelecida. Finalmente, os diabos se rendem diante do Santíssimo Sacramento e ajoelham-se em submissão, o que representa a vitória do bem sobre o mal.

A celebração termina quando no fim da tarde os sinos da igreja soam e a fraternidade é dispersada até o próximo ano, quando novamente voltam a representar o ritual.

A celebração remonta do século XVIII e a fraternidade dos demônios é dividida em uma hierarquia, representada em suas máscaras.

Os Diablos estão presentes em muitas cidades e vilarejos da Venezuela, inclusive nas imediações do Parque Nacional Henri Pitter*.

Os bailarinos Devils juntamente com outras 11 fraternidades no país tiveram a declaração de Património Cultural Imaterial aprovado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em Paris no dia 6 de dezembro 2012.

Em cada uma dessas comunidades, os trajes, as danças e os instrumentos utilizados são diferentes, mas compartilham uma cerimônia cheia de piedade popular, devoção e fé altruísta, apresentando  elementos africanos e de culturas nativas marcada pela participação popular, resistência cultural, desenvolvimento de laços de solidariedade e espiritualidade.

Cada uma dessas diabladas, que hoje são considerados Patrimônio Cultural Imaterial, constituem uma expressão profunda da Venezuela.

O reconhecimento dos Diablos Danzantes da Venezuela pela UNESCO fez o mundo olhar para o povo venezuelano a partir da sua mais longa e importante prática cultural.

 

* O Parque Nacional Henri Pittier estará no livro fotográfico Expedição Venezuela – La Tierra de Gracia. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.