Os Guácharos

Por Mitsy Queiroz
Foto: Luiz Netto

Semelhante a falcões só que com olhos maiores, os noitibós-oleosos ou guácharos (Steatornis caripensis) são pássaros encontrados predominantemente no Nordeste da América do Sul. Com hábitos noturnos, sobrevoam lugares de baixa luz, principalmente em cavernas, onde costumam construir seus ninhos, possibilitando sua comum vivência entre colônias.

Guiam-se à noite da mesma forma que os morcegos, emitindo sons de altíssima frequência, uma espécie de sonar que determina a localização do animal e os obstáculos em seu entorno. Contudo, diferentemente dos morcegos, o sonar dos guácharos é audível pelo homem. Utiliza-se deste mecanismo para se deslocar à noite em busca dos frutos que consome e até mesmo para intimidar a presença humana ou seu descontento com a luz.

Guácharo no interior do Monumento Natural Alejandro de Humboldt.

Os filhotes são mantidos nas cavernas por cerca de três meses, sem qualquer movimentação, apenas alimentando-se através dos frutos fornecidos pelo bico curvo dos seus pais. Em regra, os ninhos são construídos com argila, cada ninhada favorece a vida dois ou quatros ovos. Quando adultos, os guácharos podem chegar a 45 cm de comprimento e 90 cm de envergadura.

O Parque Nacional El Guácharo, na Venezuela, sedia uma estrutura de conservação da espécie, disseminando novas consciências de preservação de um dos animais que tem como único e principal predador o homem.

Nas dependências do Parque, encontra-se o Monumento Natural Alejandro de Humboldt, uma grande caverna onde se encontra a maior colônia de guácharos do planeta, com cerca de 15 mil indivíduos, que todos os dias saem juntos da caverna, a uma taxa de 250 aves por minuto, em busca de comida por volta das seis da noite, num dos grandes espetáculos da natureza.

 


*O Parque Nacional El Guacharo e o Monumento Natural Alejandro de Humboldt estarão no livro fotográfico Expedição Venezuela – La Tierra de Gracia. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.