Parnaíba (a cidade)

Por Silvio Melo
Fotos: Luiz Netto

Parnaíba é hoje a maior cidade do litoral piauiense e segunda maior de todo o Piauí, atrás apenas da capital, Teresina. É porta de entrada para o Delta do Parnaíba, raridade ecológica, um dos três deltas em mar aberto de todo o planeta, juntamente com o Delta do Nilo, no Egito, e o Delta do Mekong, no sudeste asiático, sendo portanto o único das Américas com esta característica.

Com quase 150 mil habitantes e gozando de ótima estrutura, como aeroporto internacional, shopping center, 9 hospitais, campus das principais universidades públicas do Piauí, pousadas, resorts, entre outros, a cidade vem se solidificando como um dos principais destinos turísticos do nordeste, graças às belezas de todo o delta, com seus mangues, dunas e praias paradisíacas, além de seu rico patrimônio histórico.

Está entre as primeiras cidades piauienses a serem colonizadas na ocupação portuguesa. Os primeiros desbravadores chegarem à região ainda no século do descobrimento, com aventureiros como Nicolau Resende (1571) e Gabriel Soares de Sousa (1631), atraídos pela peculiaridade de um delta em território brasileiro.

A presença dos Tremembés era um entrave à ocupação e levou também à realização de missões de jesuítas para estabelecer os primeiros contatos. Os primeiros confrontos foram marcados por grandes saques promovidos pelos índios nas embarcações, o que os levou a ficarem conhecidos como “peixes racionais”.

Há dúvidas quanto a origem do nome Parnaíba. Para alguns historiadores o nome remonta à vontade dos exploradores pioneiros em homenagear o distrito paulista de Parnaíba, existente à época. Para outros a palavra vem do Tupi e quer dizer “rio de águas barrentas”. Há ainda uma terceira versão que aponta o nome da cidade como uma alusão a uma faca, conhecida como Parnahiba, trazida da Bahia pelos primeiros fazendeiros que se estabeleceram na região.

O arraial de Testa Branca e a região do Porto das Barcas se destacaram como os principais núcleos urbanos formados, sendo a região elevada à condição de Vila em 1762, com o nome São João da Parnaíba, pelo então governador da Província, o Coronel João Pereira Caldas. O local já gozava de crescente comércio nos arredores do Porto das Barcas, o que impulsionou também a produção agrícola de todo litoral. A vila foi elevada à condição de cidade em 1844.

Já na primeira metade do século XX, Parnaíba anexou por 30 anos o município de Luis Correia, na época ainda chamado de Amarração.

Localizado no extremo oeste do litoral piauiense, na divisa com o Maranhão, a cidade é conhecida como a “Capital do Delta”, sendo também o principal ponto de entrada para as duas grandes unidades de conservação existentes no litoral: a APA do Delta do Parnaíba* e a Reserva Extrativista Delta do Parnaíba*, fonte de renda para diversas famílias que tiram dos peixes e crustáceos do litoral para seu sustento.

Sua longa história deixou para os dias atuais um rico patrimônio histórico e arquitetônico, com destaque para as construções no entorno do Porto das Barcas, que mantém os mesmos ares do século XVII, em que já despontava como importante entreposto comercial, nas margens do rio Igaraçu, um dos braços do rio Parnaíba. O Porto mantém ruínas e paredões construídos por escravos com pedras, cascalho de ostras e óleo de baleia até os dias de hoje. Atualmente, o local abriga bares, pousadas, lojas de artesanato e algumas associações de classe.

IMG_8090

O histórico Porto das Barcas é sede hoje de diversas entidades, como a Federação do Comércio.

IMG_7285

Pescador na Praia da Pedra do Sal.

A maior parte do município encontra-se na margem direita do Igaraçu, mas parte dele adentra na área da Delta, mais especificamente a Ilha Grande de Santa Isabel, onde se localiza a Pedra do Sal, única praia do município e muito procurada pelos praticantes de surf e kitesurf.

Outra região de rara beleza cênica são as Dunas do Portinho, que cercam a lagoa de mesmo nome, local escolhido para locação da minissérie Milagres de Jesus, da TV Record. Segundo a lenda, a Lagoa do Portinho surgiu de lágrimas da índia Macyrajara, pela morte de seu grande amor, índio Ubitã, guerreiro de tribo inimiga a sua e morto por seu pai, o chefe Botocó da tribo dos Tremembés.

Dentre as demais atrações da cidade, destacam-se ainda o Museu do Trem e Maria Fumaça, o histórico prédio do Casarão Simplício Dias, construído no século XVIII para ser o centro administrativo da cidade e onde hoje se localiza a sede do Iphan, a Igreja Nossa Senhora das Graças e o artesanato da Ilha Grande de Santa Isabel.

*A APA do Delta do Parnaíba e a Reserva Extrativista Delta do Parnaíba estarão no livro fotográfico Expedição Piauí –O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.