Pesca no Delta do Parnaíba

Por Fred França
Fotos: Luiz Netto

O Delta do Parnaíba em suas duas unidades de conservação, a APA do Delta do Parnaíba* e a Reserva Extrativista do Delta do Parnaíba*, é um dos maiores fornecedores de recursos pesqueiros de todo o país, se destacando no extrativismo de peixes, crustáceos e moluscos, responsável por boa parte do abastecimento destes alimentos no Piauí, Ceará e Maranhão.

Os peixes, principal recurso natural do Delta, é explorado das formas mais diversas, envolvendo tanto embarcações motorizadas quanto barcos à vela. Destacam-se espécies como o peixe-serra, a cururuca, o bagre-cangatan, os robalos, entre outros. Já no que diz respeito aos crustáceos, a maior parte da economia vem da venda e consumo de caranguejo-uçá e camarões de água doce, seguidos de longe pelo siri. Por fim, os moluscos mais importantes extraídos da área deltaica são as ostras e os mariscos, que abastecem tanto o mercado local, quanto diversos atravessadores que as levam para outras cidades e estados.

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O caranguejo-içá é encontrado com facilidade em quase todo o Delta do Parnaíba.

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Pescador local utilizando linha de mão.

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Peixes sendo retirados de currais na região deltaica.

Dados do IBAMA de 2008 apontam para a produção pesqueira do Delta do Parnaíba sendo representada por 60% de peixes, 20% de camarões, 17% de caranguejo-uçá e 3% de ostras e mariscos. A distribuição da quantidade de pescadores e coletores segue proporção similar, com a maioria dedicada a peixes, seguidos de perto por crustáceos.

A grande maioria dos pescadores da região são do sexo masculino, chegando a 100% de homens no caso dos coletores de caranguejo-uçá. As mulheres são a maioria apenas na coleta de mariscos.

Hoje, já há disseminado dentre os pescadores da região uma forte consciência ambiental, fruto de ações de diversos projetos, com destaque para o Pesca Solidária, projeto capitaneado pela Companhia Ilha Ativa, uma ONG local que conta com suporte do Programa Petrobras Socioambiental.

Os peixes são os recursos capturados da forma mais diversa, sendo possível encontrar o uso de linhas-de-mão, espinhel de anzóis (linha-grozeira), rede-de-espera, rede-tainheira (específica para tainhas), arrastão, tarrafa, entre outros. Também é bastante difundido o uso de curral, onde fica mais evidente a pesca de forma coletiva. Já os camarões são utilizados principalmente o puçá-de-arrasto, a muruada e o juqui. Ainda se destaca o uso do landuá na coleta de mariscos e do jereré na coleta de siris. Especificamente no caso dos caranguejos, se destaca a cata manual, sem o uso de equipamentos específicos.

* A APA do Delta do Parnaíba e a Reserva Extrativista do Delta do Parnaíba estarão no livro fotográfico Expedição Piauí – O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.