Piripiri

Por Fred França
Foto: Luiz Netto

Os primeiros registros de ocupação humana nas terras onde hoje se localiza o município de Piripiri se deu em 1777, por intermédio de Antônio Fagundes Macedo, que ergueu sua morada numa localidade de nome Botica e por ali permaneceu na única construção da região por longas décadas.

A segunda construção que se tem registro data de 1844, através do Padre Domingos Freitas e Silva, na região chamada Anajás. O padre buscava refúgio após ter lutado pela independência do estado. Como todo religioso, sua casa veio acompanhada de uma capela, em homenagem a Nossa Senhora dos Remédios, que viria a se tornar a padroeira do futuro município.

Padre Domingos teve papel fundamental na ocupação e chegada de novos moradores à região de Anajás. Primeiro ao, junto com sua família, ampliar e explorar a agricultura e a pecuária na região, mostrando ser possível extrair o sustento do solo daquele lugar.

Em seguida, mais precisamente em 1855, sua ação mais importante, loteou sua fazenda em pequenas glebas e as ofereceu a quem ali quisesse morar. As famílias que chegaram, foram de sobrenomes bem presentes na Piripiri atual: Medeiros, Melo, Rego e Resende.

Por estas ações, mesmo não sendo o primeiro morador da localidade, o Padre Domingos é tido como fundador do município.

Dois anos após a chegada dos novos moradores, em 1857, foi fundada a primeira escola, também pelas mãos do Padre Domingos, seu principal professor, responsável pela alfabetização de muitos moradores, além de aulas de latim. O Padre ainda viria a doar em 1860 a capela construída à Vila que surgia.

Em 1870 Piripiri era elevado à categoria de freguesia e em 1874 à categoria de vila, sempre pertencente ao município de Piracuruca. O desmembramento como cidade independente, viria em 1910, ainda na grafia primitiva de “Perypery”. O nome tal qual é conhecido hoje, Piripiri, foi oficializado após resolução do IBGE de 21 de novembro de 1944. O antigo nome fazia alusão a um tipo de capim que existia em excesso na Fazenda do Padre Domingos e que viria a batizar o grupamento urbano construído por ele.

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O museu da cidade ainda mantém a grafia antiga do município.

Do início do povoamento à primeira metade do século XX, Piripiri tinha como principais atividades econômicas a pecuária e a extração da cera da carnaúba. Após a segunda guerra, com o avanço e descobertas de produtos sintéticos, a cera registrou uma grande queda no preço de mercado, levando a atividade ao declínio da região. A segunda metade do século XX marcou em Piripiri o desenvolvimento da indústria local, especialmente a têxtil, com mais de 300 unidades fabris registradas, e o início da exploração turística dos seus arredores, sendo estas, juntamente com o comércio, as atividades mais fortes atualmente.

A cidade se encontra na região do Meio-Norte e na Microrregião do Baixo Planalto Piauiense, a 166 quilômetros de Teresina e a 191km do litoral, totalmente inserida na Área de Proteção Ambiental da Serra da Ibiapaba*, ocupando uma área corresponde a 4% da APA. Piripiri também é a porta de entrada para o Parque Nacional de Sete Cidades*. Apesar do histórico Parque se dividir entre os municípios de Piracuruca e Brasileira, é Piripiri sua principal cidade base.

O último censo apontou uma população piripirense de 61.834 habitantes, com 72,4% de população urbana, o que faz dela a quarta cidade mais populosa do Piauí, atrás apenas de Teresina, Parnaíba e Picos. O Índice de Desenvolvimento Humano é o maior da região da Ibiapaba, com 0,624, enquanto sua renda per capita é superior a R$8.000,00.

* A APA da Serra da Ibiapaba e o Parque Nacional de Sete Cidades estarão no livro fotográfico Expedição Piauí – O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.