Além da selva de pedras de Recife


Dois Irmãos é um dos lugares que mais frequentei para fotografar nos anos que passei em Pernambuco. O Luiz também faz da área seu parque de diversões, possui uma mata atlântica preservada, uma vasta fauna, e está a pouco mais de 15 minutos do centro de Recife. Também é casa do zoológico da cidade, então a estrutura é razoável, com lanchonetes, museus e afins.

 Obviamente pro trabalho do livro Expedição Pernambuco, documentar os hoje mais de mil hectares do Parque, nos exigia sair da área “urbana” do mesmo, especialmente sua portaria, onde se localiza o grande zoológico que recebe milhares de visitantes, especialmente nos fins de semana.

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O zoológico de Dois Irmãos é a porta de entrada do Parque Estadual. 

 

Com frequência vamos pra lá fotografar, mas em nada se compara ao nosso amigo Silvino Pinto. Luiz já falou sobre ele aqui no blog, e mais uma vez nosso colega fotógrafo foi nosso anfitrião, na verdade, meu anfitrião, pois nessa nossa incursão o Luiz estava ausente em um outro trabalho.

Nosso objetivo era seguir até o Açude do Prata, local de águas um pouco mais claras e mais isolado onde supostamente teríamos mais facilidade de encontrar mais animais em liberdade.

Infelizmente a área é perto da periferia do Recife, e nos foi terminantemente proibido pela administração do Parque seguir até o Prata sem acompanhamento policial.

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A Cipoma, divisão da Polícia Militar de Pernambuco responsável por cuidar de crimes ambientais nos fez a escolta em todos os dias que estivemos em Dois Irmãos.

 

A Polícia Militar de Pernambuco, através da Cipoma e da equipe do Major Gildo, são apoiadores do projeto e nos disponibilizou quatro profissionais que nos acompanharam por todo trajeto. Segundo Silvino, fazia tempo que não pisava no Prata, mas tinha recordação da última vez que foi de ter encontrado até seringas pelo chão.

Independente destas perspectivas, não tivemos qualquer imprevisto e tudo correu normalmente. As chuvas recentes afastaram um pouco a fauna do Parque, mas nada que nos impedisse de conseguir belas imagens. O grande casarão tradicional ainda de pé no Açude estava seus tons de rosa contrastando com o verde da mata atlântica brasileira. Dentro os novos inquilinos, alguns morcegos que perambulavam pelos cômodos ainda de pé.

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Antigo casarão ainda de pé nas imediações do Açude do Prata.

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Os novos inquilinos do casarão. 

Dois Irmãos é um Parque sui generis do projeto, já dispomos de várias imagens e fizemos várias incursões no local, entretanto nos faltava buscar um pouco mais as áreas mais isoladas, especialmente as novas terras que foram anexadas à área preservada nos últimos dois anos, fazendo o Parque superar a casa dos 1000 hectares.

Foram dias proveitosos. Até agora já conseguimos imagens de jacarés, capivaras, preguiças, serpentes, jaçanãs, socós-boi e diversos outros exemplares, tudo isso há poucos metros do Recife. Nada comparado ao acerto do amigo Silvino que já fotografou até lontras por aqui, ainda assim, fechamos Dois Irmãos com um saldo super positivo.

POSTADO POR BART VAN DORP EM 26 DE SETEMBRO DE 2014