Rio Poti

Por Fred França
Fotos: Luiz Netto

O Cânion do Poti representa o mais belo trecho dos mais de 500km do rio de mesmo nome que corta boa parte da APA da Serra do Ibiapaba*, com suas águas se dividindo entre os estados do Piauí e do Ceará, onde nasce, no município de Quiterianópolis, mais precisamente na Serra da Joaninha, a 600 metros de altitude.

A estimativa é que o Cânion tenha sido criado há 400 milhões de anos, ainda na era Paelozóica. Hoje ele compreende uma grande fenda geológica que surge justamente quando o rio adentra em território piauiense e que segue ao longo de boa parte do rio, composta de grandes paredões nas margens moldados pela erosão mecânica criada pelas águas do rio ao longo de séculos.

15675969_10208315580189452_3021051035326719808_o

Cânion do rio Poti, no lado piauiense

Além do cânion em si, eleito em votação popular uma das sete maravilhas do estado do Piauí, a região possui ainda muitos sítios arqueológicos com pinturas rupestres, grafismos e fósseis. São cerca de 60 km de grafismos ao longo do rio Poti, o que indica que a região era uma zona de passagem do homem nômade primitivo, uma espécie de corredor migratório natural que os ancestrais usavam pra se deslocar no território piauiense.

Além dos sítios arqueológicos, destacam-se ainda cavernas, grutas, entre outras maravilhas. Em alguns locais do rio os paredões são superiores a 60 metros de altura a partir da lâmina d’água.

pi_apaserradaibiapaba-739

Grafismos do homem ancestral ao longo do rio Poti. São 60 quilômetros de registros nas margens do rio.

O cânion possui acessos a partir de muitos municípios, Castelo do Piauí, Juazeiro do Piauí e Buriti dos Montes são os principais, mas todos são relativamente distantes dos paredões de cânions, exigindo ainda deslocamentos muitas vezes superiores a duas horas por estradas de barro, de preferência em veículos 4×4.

* A APA da Serra da Ibiapaba estará no livro fotográfico Expedição Piauí – O Sol do Equador. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.