Rodelas

Por Fred França
Foto: Luiz Netto

A baiana Rodelas é a segunda cidade a compor o primeiro guia de coordenadas de São Francisco Submerso sobre o Lago de Itaparica, juntamente com a Itacuruba, do lado pernambucano. Dos sete municípios atingidos pela abertura das comportas da Usina Luiz Gonzaga no fim da década de 80, apenas as duas e a cidade pernambucana de Petrolândia tiveram que ter suas sedes realocadas.

A região, como todo o sertão do São Francisco, era uma grande rota de migração de comunidades indígenas nômades que viviam ao longo do rico leito do Rio São Francisco, até a drástica redução das populações tradicionais a partir da chegada das missões jesuítas a partir do século XVII.

Conflitos efervescentes entre colonizadores, indígenas, escravos e seus descendentes perduraram até o início do século XX, já durante o período do cangaço, que ameaçou sobremaneira as riquezas da localidade, com diversos conflitos que afetaram a produção de riquezas das principais fazendas do futuro município.

O distrito ganhou o nome atual, Rodelas, através de Lei Municipal promulgada em abril 1962, subordinado ao município de Santo Antônio da Glória, mas no mesmo ano uma nova Lei concederia a sua emancipação.

A nomenclatura do município tem como origem mais aceita a que se refere à história do índio Francisco Rodela, que teria ajudado a catequisar mais de 200 índios de sua etnia, localizada na zona rural do futuro município, e se tornado figura de destaque na Batalha dos Guararapes, já em Pernambuco, contra os invasores holandeses. Francisco ganhara o apelido de “Rodela” por usar um colar feito de ossos em formato semelhante a uma Rodela. Há ainda uma segunda versão que faz alusão à violenta tradição dos indígenas locais em retirar a rótula do joelho dos inimigos abatidos, que os fez serem conhecidos pela alcunha de “rodeleiros”.

A história do recém emancipado município viria a mudar drasticamente com os estudos iniciados ainda no fim da década de 60 apara a futura construção da Usina Hidroelétrica Luiz Gonzaga, cujas obras se iniciariam em 1975 com e as comportas viriam a ser abertas em 1988.

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A nova Rodelas hoje se localiza nas margens do Lago de Itaparica.

A nova cidade foi alocada nas margens do novo lago, seguindo um planejamento urbano mais moderno, de quadras mais amplas localizadas ao redor de áreas públicas. Os indígenas Tuxá, que já viviam próximos à cidade na antiga sede, tiveram sua aldeia alocada igualmente para as proximidades do novo núcleo urbano. Já os moradores das zonas rurais foram alocados em agrovilas criadas especialmente para este fim, que findaram por dar origem a vários povoados rurais.

A nova Rodelas desenvolveu uma cultura agrícola ainda mais forte que a do antigo município, desta vez baseada na agricultura de irrigação, o que gerou um razoável fluxo de mão-de-obra para o local e consequentemente alguns novos problemas de ocupação urbana, incluindo-se um número razoável de construções ilegais.

Hoje, os projetos agrícolas, especialmente a fruticultura, continuam a ter destaque no cenário nordestino, contando com suporte e aportes da CHESF, responsável pela Usina Luiz Gonzaga, e especialmente pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba – CODEVASF, que impulsionou a produção de coco na cidade, a ponto do município passar a ser conhecido hoje como a “Cidade do Coco”.