“Saudades da Antiga Petrolândia”, um poema de Neide Sandes

No Sertão, estudar sua história sem passar uma vista na poesia e na cantoria popular, sempre resultou numa análise incompleta. Buscar esta raiz nas pesquisas do projeto São Francisco Submerso – O Lago de Itaparica*, foi essencial.

A literatura de cordel, os repentistas e os poetas populares sempre narraram para a eternidade as batalhas épicas do cangaço, o flagelo da seca e toda a sorte de acontecimentos históricos sertanejos. Quando o Lago de Itaparica cobriu a antiga cidade de Petrolândia, coube à poetisa Neide Santos, escrever o belo poema “Saudades da Antiga Petrolândia”, que faz parte do livro de poesias homônimo, publicado em 2010.

 

“Saudades da Antiga Petrolândia.”

 

Eita Petrolândia querida!

Que amamos de paixão

Estamos vivendo na nova

Mais a antiga não sai do nosso coração.

 

Um surubim delicioso

O restaurante “o Redondo” cozinhava

Quem comia saia gavando

O peixe que Lourdinha de Celestina preparava.

 

Heronildes de Andrelino

Doce de goiaba sabia fabricar

Começou na charqueada

e uma fabrica em casa conseguiu montar.

 

Ninho de Maria Costa

Filtro de pedra fazia

Que purificavam a água

Que a população bebia.

 

Até feitor de caixão

Em Petrolândia existia

Preguinho fazia de qualquer cor

Dependia da idade e do tamanho que o defunto tinha.

 

Dona Marieta fazia flor

De modelos variados

E Sr. Adalto seu marido

Renovava estofados.

 

Djalma Menzes e Milinha

Duas almas que não se desgrudavam

Tinha encontros todas as noites

Ninguém sabia se namoravam

 

O Oficial de Justiça Jeremias

Não só desse ofício cuidava

Na roça e na olaria

seu tempo complementava.

 

*São Francisco Submerso – O Lago de Itaparica é uma exposição do fotógrafo pernambucano Luiz Netto. O projeto é uma realização do Ministério da Cultura, Lei de Incentivo à Cultura, IPHAN, Paço Imperial e Panorama Cultural.  O patrocínio é do Banco Itaú. A mostra segue em cartaz no Iphan de Recife até o mês de outubro.