Serra Talhada

Por Mitsy Queiroz
Foto: Karina Morais

O município pernambucano é um bom exemplo do que é um pólo de uma microrregião. Trata-se da maior cidade da zona conhecida como Sertão do Pajeú, área que delimita a bacia do famoso rio de mesmo nome, imortalizado na letra de “Riacho do Navio” de Luiz Gonzaga e Zé Dantas.

Localizada a 410km de Recife e com quase 80 mil habitantes, Serra Talhada é conhecida por características ligadas ao fenômeno do cangaço, entre elas o xaxado, dança típica do sertão e criada pelos próprios cangaceiros. O ritmo, fortemente disseminado na cultura serratalhadense, a faz ser conhecida como a “Capital do Xaxado”.

Se não bastasse ser associada à dança dos bandoleiros, é a cidade natal do maior deles, Virgolino Lampião, nascido nas imediações do Sítio Passagem das Pedras, na área rural. O cangaceiro foi personagem rotineiro na guerra entre as famílias Pereira e Carvalho, que marcou o início do século passado.

Lampião começou sua vida no cangaço junto a seus irmãos e logo entrou para o bando de Sinhô Pereira, maior cangaceiro da região do Pajeú até então e também natural de Serra Talhada. O bando era uma espécie de braço armado da família Pereira na guerra contra os Carvalhos.

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Matriz de Nossa Senhora da Penha, centro de Serra Talhada.

Não demorou a Lampião assumir o bando, fato ocorrido quando Sinhô abandonou o cangaço para viver em Goiás. O grupo sob a batuta do novo líder alçou vôos maiores, atuando em quase todos estados nordestinos, mas retornando com certa assiduidade à sua cidade natal, onde manteve sempre fortes relações com os coronéis da região.

A cidade foi alocada pelo governo de Pernambuco numa rota turística conhecida como “Rota do Cangaço e Lampião”. A Casa da Cultura, onde é possível encontrar vários utensílios pessoais do filho mais ilustre da região, além da Fundação Cabras de Lampião, que mantém um Museu e apresentações regulares de xaxado, são destaques pra quem quer conhecer mais a fundo as heranças deixadas pelo período dos combates lampiônicos. Coube ao Museu abrir as portas para receber a segunda turma da Escola de Fotografia Comunitária*. 

Outros destaques culturais são o Centro Dramático Pajeú e o Cine-Clube Pajeú, localizados no Alto do Bom Jesus, área popular da cidade, e que contam com belos trabalhos junto aos jovens carentes da região.

Para uma vista panorâmica da cidade, o melhor local é o mirante do topo da Serra Talhada (que dá nome à cidade), onde é possível ver todo o município, além de belas vistas do Açude Cachoeira e do Açude do Saco, reservas de água na região do Pajeú.

O centro da cidade guarda a beleza típica do sertão pernambucano. Lá se encontra uma das mais belas igrejas do Nordeste, a Matriz de Nossa Senhora da Penha, uma imponente construção em estilo neoclássico.

Nossa Senhora da Penha é também a padroeira da cidade e sua famosa festa, uma das maiores de todo o sertão, ocorre sempre no mês de setembro, garantia de diversão e de cidade repleta de visitantes.

*A 2a turma da Escola de Fotografia Comunitária contou com apoio da Prefeitura Municipal de Serra Talhada, Fundação Cabras de Lampião, Ponto de Cultura Bruxa Tá Solta e Projeto Vou de Kombi.