Sertânia

Por Augusto Cataldi
Foto: Luiz Netto
 
Situado no sertão, o município de Sertânia, a 313 km de Recife, carrega a história e a mesorregião onde se situa em seu próprio nome, que significa “cidade sertaneja”.
 
A região onde hoje se situa o município era antes habitada por índios – os Cariris, formados pelas tribos piripãs, caraíbas, rodelas, jeritacés (todos da nação Tapuia) – que no início do povoamento já eram consideradas tribos semi-domesticadas.
 
As “entradas”, prática que visava a busca e o aprisionamento dos índios para o trabalho na região canavieira, marcou o início da colonização na região. Ainda há indícios de que os holandeses estiveram no território e se aliaram aos Cariris na luta contra os portugueses. 
 
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Um dos trechos mais conhecidos do Parque Nacional do Catimbau (já no município de Buíque), possui acesso pela vizinha Sertânia.
 
A história conta que no fim do século XVIII, o senhor Antão Alves de Souza, de Vitória de Santo Antão, muda-se para Moxotó para negócios de gado. Na cidade, ele se casa com D. Catarina, filha do português Raimundo Ferreira de Brito. Os pais de D. Catarina ofereceram ao casal uma faixa de terra. Nas terras existiam duas lagoas – a de cima e a de baixo. Os noivos escolheram a faixa de terra que compunha a lagoa de baixo e logo a transformaram em uma fazenda de gado de nome Alagoa de Baixo. Logo, o local se transformou em um núcleo habitacional.
 
Tudo então girou em torno do núcleo habitacional que a fazenda se transformou. Na primeira década do século XIX, Antão Alves inicia a construção da igreja de Nossa Senhora da Conceição e concede, em 1810, uma légua quadrada de terra para o patrimônio da igreja. A partir de então, o crescimento populacional foi inevitável. Como costume do sertão, residências foram construídas ao redor da igreja. Como o rio Moxotó banhava o povoado, o local cresceu e progrediu.
 
Em 1942, o local foi elevado à categoria de distrito com o nome de Alagoa de Baixo. Nesta data também foi criada a sua freguesia, cuja sede foi transferida para o povoado de Jeritacó, para em seguida passar a ser município e recebe o nome de Sertânia. 
 
Sertânia possui uma pequena parcela de sua área rural nos domínios do Parque Nacional do Catimbau*, apesar de ser maior que muitas das cidades que compõe o parque, é a menos procurada quando o assunto é conhecer as maravilhas do Vale. Sua atividade econômica se concentra no comércio e na produção rural, especialmente a ovinocaprinocultura tanto para corte quanto para leite.
 * O Parque Nacional do Catimbau está no livro fotográfico Expedição Pernambuco – O Leão do Norte. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.