Tamandaré

Por Karina Morais
Fotos: Luiz Netto e Fred França 

Município do litoral sul do estado de Pernambuco, situado na Zona da Mata, localizando-se a 109 km a sul da capital pernambucana. Ocupa uma área territorial de 214. 307 km², com estimativa populacional em 2014 de 22. 323 habitantes.

Originalmente, Tamandaré não era mais do que uma praia selvagem, quando fazia parte das terras de Una e Rio Formoso, até ter sua emancipação em 28 de setembro de 1997, com base na lei estadual complementar n0 15, de 1990, separando, assim, do município de Rio Formoso desde que tivesse população superior a 10 mil habitantes e eleitorado maior que 30% dessa população.

A ocupação das atuais terras é bastante antiga, tendo sua denominação graças ao acidente geográfico que é a Baía de Tamandaré. A palavra  é de origem indígena, do vocábulo tupi “tab-moi-inda-ré”, que significa o Repovoador. Segundo a lenda, “o Repovoador” era um pajé a quem o grande Deus dos Trovões, Tupã, avisou que iria exterminar os homens. Assim, quando houve o dilúvio, Tamandaré já se encontrava na arca com sua família, onde ficou até o fim das chuvas, voltando em seguida às terras secas para reiniciar o seu povoamento. Ao contrário do que se pensa, foi o município que deu nome ao Barão de Tamandaré, o patrono da Marinha brasileira.

O Clima é classificado como tropical, com os verões quentes e secos e invernos mornos e úmidos. Tamandaré possui, ao todo, cinco praias em sua orla marítima: Praia das Campas, Praia de Tamandaré, Praia do Pontal do Lira, Boca da Barra e Praia de Carneiros , considerada uma das mais bonitas do mundo, onde se encontra famosa Igreja de São Benedito, literalmente na areia do mar. 

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Igreja de São Benedito, na Praia dos Carneiros.

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Praia de Tamandaré.

O relevo do município de Tamandaré está incluso na unidade das Superfícies Retrabalhadas, que são áreas que sofreram ou vêm sofrendo um “retrabalhamento” intenso ocasionado pela agricultura, sobretudo pela monocultura da cana-de-açúcar. Uma das características mais expressivas desse tipo de relevo é a sua dissecação e os seus vales geralmente profundos.

A vegetação nativa e predominante no município é a Mata Atlântica, tendo grande parte da cobertura original sido substituída pela monocultura da cana-de-açúcar. Suas florestas são constituídas por árvores de médio e grande porte, formada por floresta densa e fechada, detendo uma rica biodiversidade, mas muito atingida pela ação destrutiva do homem, com isso, muitas espécies animais que fazem parte desse bioma estão ameaçadas de extinção, tais como: mico-leão-dourado, bugio, tamanduá-bandeira, tatu-canastra, arara-azul-pequena e onça-pintada. Todas estas espécies já não são mais encontradas na Mata Atlântica de Tamandaré, onde se encontra na totalidade da Reserva Biológica Saltinho* e parte da APA Costa dos Corais*.

O território de Tamandaré encontra-se incluído nos domínios da bacia hidrográfica dos rios Una, Mamucabas e Ilhetas. O rio Mamucabas encontra-se quase inteiramente localizado em solo tamandareense, nascendo a oeste da Reserva Biológica de Saltinho, próximo ao Sítio Barro Branco. O Mamucabas chega a atingir o núcleo urbano supracitado, correndo no sentido noroeste-sudeste, tomando, a partir daí, a direção sul, na qual mantém seu curso até seu encontro com o rio Ilhetas. 

A economia do município é baseada na produção agrícola, principalmente cana de açúcar e turismo, sendo suas praias algumas das mais visitadas durante o verão pernambucano, atraindo inclusive o grande fluxo de turistas estrangeiros.

*A Reserva Biológica Saltinho e a APA Costa dos Corais estão no livro fotográfico Expedição Pernambuco – O Leão do Norte. Mais informações sobre a Coleção EcoExpedições no menu esquerdo do portal da Panorama Cultural ou no site www.colecaoecoexpedicoes.com.br. Os extras publicados no portal trazem informações e curiosidades das áreas visitadas ao longo do projeto.