Terra Indígena Truká

Por Jaque Pinheiro
Foto: Luiz Netto

Um pouco antes do Rio São Francisco desaguar no Lago de Itaparica, as águas do Velho Chico cruzam a Ilha de Assunção, local onde está institucionalizada a Terra Indígena Truká, no município de Cabrobó, Pernambuco. Por sua proximidade ao Lago, a região também foi inserida no projeto São Francisco Submerso.

Atualmente, são aproximadamente 3500 indígenas vivendo numa área de 9.688ha. A população remonta à antiga Aldeia de Assunção, fundada por volta de 1722, à época com cerca de 400 indígenas, tendo sido quase extinta em 1792 em virtude de uma grande enchente que arruinou as casas existentes.

Os Truká foram sofrendo a partir de então pressões externas do homem branco, tanto na monarquia, quanto na República Velha. Nos anos 40 do século passado, contando com o apoio dos Tuxá, da cidade baiana de Rodelas, ficaram sabendo da existência do então Serviço de Proteção aos Índios (SPI), fato que foi preponderante para a não expulsão dos indígenas que restavam na região.

O SPI, de fato, lutou pelos indígenas e conseguiu a nulidade de vendas e reintegrações de posse para os antigos moradores. A relação dos Truká com a FUNAI só se estabeleceu na década de 70 e a entidade inclusive desconhecia a história anterior àquela narrada pelo SPI.

A FUNAI tornou-se grande parceira dos Truká e conseguiu nas décadas de 80 e 90 uma série de conquistas territoriais que culminaram na Terra Indígena com a demarcação atual.

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Crianças Truká aprendem a pescar desde cedo.

A delimitação de 9.688 hectares foi definida em 2002. Os históricos problemas de insegurança na região ainda persistem, agora com o agravante da região estar inserida na área conhecida como “polígono da maconha”, onde os indígenas vêm recorrentemente denunciando a utilização da Ilha de Assunção por produtores clandestinos que deixam o já conhecido rastro de violência nos conflitos que até pouco tempo causou a morte de algumas lideranças.

As principais atividades econômicas dos índios ainda são a agricultura e a pesca no São Francisco, entretanto, ainda ocorrem na esfera da mera subsistência. As casas das aldeias são em sua maioria feitas de taipa, havendo um pequeno número de construções em alvenaria. O apoio de saúde é precário, havendo apenas um posto de enfermagem e eventuais campanhas de vacinação. Já a situação escolar é ainda mais precária, contanto apenas com uma escola municipal. 

Tantos anos de lutas obviamente findaram por enfraquecer as manifestações culutrais e religiosas dos indígenas, que também terminaram se miscigenando com a cultura cabocla e negra e com a própria igreja católica que atuou na região desde o antigo aldeamento. O toré finda por ser a tradição que ainda resiste, comandada pelas duas autoridades do local: o cacique, liderança política, e o pajé, liderança religiosa.