“Thinya” leva os Fulni-ô à Mostra Competitiva

Thinya 001 - Anna Andrade

A abertura do Festival de Cinema Indígena de Águas Belas é toda ela dedicada aos Fulni-ô, na Mostra Fulni-ô de Cinema, composta em sua integridade por obras em coprodução da Panorama Cultural com o Coletivo Fulni-ô de Cinema e com o Ponto de Cultura Fulni-ô. Em virtude da Panorama Cultura ser também produtora do Festival, esses filmes participarão apenas a título de exibição e não irão compor a mostra competitiva. A etnia que sedia o festival terá, porém, uma obra na disputa da Mostra Competitiva, “Thynia”, de Lia Letícia. 

Thinya nasceu de uma residência artística em Berlim, onde a diretora encontrou dois álbuns de fotografias em um “mercado de pulgas”. O álbum contém três décadas de aniversários, viagens e festas ocorridas entre 1960 e 1990 de uma mulher chamada Inge. A partir dos álbuns, Lia Letícia cria uma narrativa na qual Inge e seus compatriotas terminam por ilustrar textos de cronistas alemães que viajaram para o Brasil entre os séculos XVI e XVIII – Hans Staden, Johan Baptist von Spix e Karl Friedrich Philip von Martius. Tudo narrado por uma voz off na língua indígena do povo Fulni-ô/PE, o yathee.
 
Trocando e confundindo os lugares entre colonizadores e colonizados, de forma irônica, brincando com essas posições, re-arranjando histórias latentes em objetos originalmente isolados.
 
A obra foi finalizada em 2019 e o Festival de Cinema Indígena de Águas Belas é o primeiro festival de cinema que integra. A seguir o cartaz oficial do filme.
 

Cartaz final - Anna Andrade